É um dos distúrbios do sono mais comuns na infância, ocorrendo em torno de 30% das crianças de 3 a 10 anos de idade. Diminui na adolescência, mas um pequeno grupo persiste com o transtorno até a idade adulta.

QUADRO CLÍNICO

É um distúrbio do sono profundo e ocorre geralmente nas primeiras horas de sono e dura de poucos segundos a vários minutos. O sonâmbulo senta na cama, ou se levanta, de olhos abertos, mas apesar de parecer acordado, está dormindo profundamente. Olha para as pessoas sem reconhece-las e geralmente responde às perguntas, com frases sem nenhum sentido. Pode andar pelo quarto ou sair para outros cômodos, descer escadas e abrir portas e janelas. Raramente apresenta comportamentos mais complexos como trocar as roupas, urinar ou escovar os dentes. Normalmente ele mantém um reconhecimento parcial do ambiente e por isto costuma evitar objetos em seu caminho ou fazer coisas perigosas. Se os familiares tentarem acorda-lo, poderão conseguir mas com muita dificuldade. Adultos sonambúlicos tendem a apresentar movimentos mais bruscos e violentos, chegando a bater contra portas e janelas e a se ferir ; se os familiares tentarem contê-lo, poderão reagir com violência, tentando escapar. Quando é acordado, geralmente não se recorda de estar sonhando. Na manhã seguinte não costuma ter nenhuma lembrança do evento, ou se lembra muito vagamente de alguma coisa.
A polissonografia (exame feito durante o sono) é importante no adulto, para fazer a diferenciação entre o sonambulismo e o distúrbio comportamental do sono REM, pois o tratamento é diferente para cada caso.

CAUSAS
A causa do sonambulismo ainda é desconhecida. O transtorno surge com mais freqüência em famílias que tem muita necessidade de sono. Acontece mais em situações de privação de sono e de fadiga intensa. Geralmente as crianças sonambúlicas não apresentam maiores problemas emocionais o que ocorre nos adultos.

TRATAMENTO

Sempre existe o risco da pessoa em crise de sonambulismo se machucar, tropeçando, caindo de uma escada ou de uma janela. Desta forma é necessário cuidado dos familiares e do próprio paciente, tomando condutas simples a fim de evitar acidentes. Dentre estas, evitar deixar janelas abertas, trancar as portas e tirar as chaves e retirar objetos pontiagudos ou quebráveis de dentro do quarto. O sonâmbulo também deve evitar dormir na parte de cima do beliche. A pessoa com este transtorno, deve manter horários regulares para dormir e acordar e fazer uma higiene do sono adequada.
Aconselha-se aos familiares não ficarem forçando o sonâmbulo a despertar durante o evento. Basta ficar ao seu lado, até o episódio terminar espontaneamente e reconduzi-lo de volta ao leito. As crianças com sonambulismo deixam de apresenta-lo espontaneamente, sem necessidade de tratamento. Avaliação psicológica e uso de medicamentos só são necessárias em casos de episódios muito intensos e freqüentes.
As pessoas que passam a ter crises de sonambulismo à partir dos 20 anos de idade, devem ser examinadas por um médico especialista e devem fazer uma polissonografia numa clínica de sono. Os medicamentos benzodiazepínicos costumam ser eficazes no transtorno, porque diminuem as fases profundas do sono.

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