DEPRESSÃO NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA
Manifestações na fase pré-verbal :
expressão facial, postura corporal, inquietação, retraimento,
choro, recusa de alimentos, apatia, perturbações do choro e resposta diminuída
aos estímulos visuais e verbais.
Fase
pré-escolar :
dores abdominais, peso
abaixo da idade, fisionomia triste, lamentação,irritabilidade, diminuição do
apetite, agitação psico-motora ou hiperatividade, transtornos do sono,
ansiedade, balanceios, movimentos repetitivos, agressividade auto e hetero e
sempre ficar se colocando em situações de perigo, ou manifestando medos
difusos.
Progredindo pode haver regressão da linguagem, ecolalia e enurese.
Manifestações de dependência
excessiva, ansiedade de separação, controle
precário de impulsos e desmodulação afetivo-emocional.
De 6 a 12 anos :
tristeza, choro fácil, apatia, movimentação lenta, voz
monótona, falam de modo desesperançoso e sofrido, falam sobre si mesmas em
termos negativos:
“sou ruim mesmo”, “ninguém se preocupa comigo”. Baixa
auto-estima, auto crítica exagerada,
pensamentos de suicídio ou morte. Humor
irritadiço ou instável. Perda de interesses.
Deterioração escolar. Medos
difusos. Dores de cabeça e abdominal. (3%)
De
12 a 16 anos :
sentimentos depressivos de
desesperança, dificuldades de concentração, tentativas de suicídio. Insônia ou
hipersonia, alterações no apetite,provocando alterações no peso, perda de
energia e desinteresse pelas atividades diárias e extracurriculares.
Irritabilidade quase sempre presente. Pode iniciar uso de drogas e uso
abusivo de remédios.(8%)
De 16 a 21 anos
:
Risco aumentado de suicídio, por haver maior
facilidade, anedonia, irritabilidade,crises de choro, isolamento, uso
abusivo de drogas. (12%)
A irritabilidade é o sintoma que + diferencia a
depressão na infância/adolescência da do adulto.
A depressão na criança
ocorre na mesma incidência nos dois sexos.
Na adolescência (= nos adultos),é
duas vezes mais freqüente na mulher.
MANIA
:
irritabilidade, auto e heteroagressividade,
hiperatividade, distraibilidade acentuada, tagarelice,
discurso
incompreensível idéias de grandeza, sensação de possuir poderes mágicos,comportamento bizarro
e extravagante, falta de sono. Podem haver alucinações
e delírios.
CICLOTIMIA :
Forma menos grave de DB, com períodos alternados de hipomania e
depressão moderada.
É crônica e não psicótica. Inicia com mais freqüência no
final da adolescência,mas pode aparecer em qualquer idade. As oscilações do
humor podem levar a dificuldades sociais e profissionais.
DISTIMIA :
Humor deprimido ou
irritável, pelo menos por 1 ano. Deve ter também pelo menos 2 destes sintomas:
apetite
alterado, sono alterado, baixa energia ou fadiga, baixa auto estima,dificuldades
na concentração e em tomar decisões. A criança aqui não chega a se sentir
deprimida - é mais pra “desmotivada”.
Risco de não tratado é de evoluir para
a “depressão dupla”.
COMORBIDADE :
Transtorno de ansiedade generalizada
Fobia social
Fobia
simples
Transtorno obsessivo-compulsivo
Transtorno de
conduta
Drogadição
Bulimia e anorexia nervosas
Baixa
imunidade
Doenças clínicas
SUICÍDIO NA INFÂNCIA
E ADOLESCÊNCIA
CONSCIENTE : refletido,voluntário,
intencional
INCONSCIENTE : se expõe a situações de risco, acidentes
freqüentes,Importante nos conscientizarmos que as crianças podem se
matar.
1982 - Campinas - Dr. Cassorla :150 tentativas de suicídio para cada
100 mil/hab/ano levando-se em consideração o “suicídio inconsciente “ esta
taxa subiria para muito mais.
Os casos geralmente são escondidos pelas
famílias, pela sociedade, até os médicos escondem,quando não colocam no
atestado de óbito a verdadeira causa.
Crianças com menos de 5 anos não
consideram a morte irreversível.
Com 6 anos teme a morte da mãe e não crê na
sua própria
Com 7 anos pensa na morte como algo humano, mas só vagamente que
um dia morrerá
Com 8 anos aceita que todos vão morrer um dia e ela
também
Com 9 anos passa a aceitar a idéia de morte com realismo de caráter
biológico.
Importante valorizar uma primeira tentativa de suicídio como um
desejo real de morte, para prevenir as futuras.
O método + usado por crianças
maiores de 7 anos é o de ingestão de medicamentos.
As crianças menores
parecem associar mais morte com violência e procuram se jogar de lugares
altos,facas,enforcamentos ou se jogarem embaixo de veículos.
Importante ao
dar a notícia de morte para as crianças, enfatizar o fato de que o morto não
voltará mais.
Alguns relatos indicam que várias crianças procuraram a morte
na esperança de encontrar um ente querido que morreu, ou de voltar a uma
situação anterior de vida que era melhor com a presença deste ente.
Isto
muitas vezes é decorrente de idéias transmitidas às crianças como : foi para o
céu, não sofre mais,não tem problemas mais, fora o fato de que todo mundo que
morre vira “gente boa”,são idéias que as crianças assimilam ao pé da letra.
A conduta mais viável num funeral,seria a criança poder ter um contacto
breve com a situação para poder perguntar sobre a morte e não ficar com
fantasias de culpas, de abandono, ou mesmo de reencontro a curto
prazo.
Mentir ou esconder não tem sentido e só favorece a possibilidade da
não elaboração do conceito
de morte. No caso de famílias religiosas, deve se
colocar a possibilidade de reencontro a muito longo prazo e somente quando DEUS
quiser.
A prevenção maior consiste em estarmos atentos aos gritos de socorro,
que nem sempre são gritos de suicídio,mas gritos de quem está com problemas e
pedindo ajuda.