Estimulação Magnética Transcraniana

A Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva, é uma técnica neurofisiológica que é utilizada para o tratamento da depressão, dos zumbidos nos ouvidos e de alucinações auditivas. Várias pesquisas científicas em andamento, tem mostrado boas possibilidades desse tratamento também ser útil em vários outros problemas, como o autismo, o transtorno obsessivo-compulsivo, o transtorno do pânico e a doença de Parkinson. Pesquisas também estão sendo feitas com a Doença de Alzheimer e quadros de dores crônicas.

A EMTr é aplicada colocando uma espiral metálica envolta em plástico (bobina) sobre a cabeça para emissão de pulsos magnéticos que atuam sobre o cérebro de maneira focalizada. Dependendo da freqüência utilizada, os estímulos podem aumentar ou diminuir a atividade da área cerebral atingida e, assim, pode-se aplicar terapeuticamente modulando (equilibrando) o funcionamento neuronal de acordo com o problema apresentado.

Há 10 anos,vem sendo usada no campo da psiquiatria, principalmente no tratamento dos quadros de depressão. Em virtude da facilidade do tratamento e dos resultados obtidos na depressão-equivalentes aos das demais modalidades, mas com a vantagem de não apresentar efeitos colaterais, observou-se nos últimos anos a multiplicação de centros médicos e de pesquisa em estimulação magnética cerebral nos mais respeitados centros universitários ao redor do mundo. A EMTr esta aprovada para uso clinico em diversos países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Israel e inclusive no Brasil.

É uma técnica segura e não provoca efeitos colaterais significativos desde que sejam seguidas as normas internacionais de segurança. Apenas 3% dos pacientes referem dor de cabeça (nas primeiras aplicações). Há relato de casos de convulsões provocadas pelo tratamento, mas apenas quando as normas de segurança não são seguidas ou quando o paciente tem um limiar convulsígeno muito baixo. A EMTr é um método praticamente inócuo que pode ser utilizado com segurança em situações clínicas específicas nas quais o uso de antidepressivo pode acarretar conseqüências indesejáveis e arriscadas ou mesmo ser contra-indicado, como, por exemplo, durante a gravidez ou no pós-parto. Considerando esta questão um recente estudo publicado por Nahas e cols. descreveu o primeiro relato da aplicação da EMTr em paciente gestante demonstrando sua eficácia, tolerabilidade e segurança, merecendo posteriores replicações para consolidar o uso da técnica nesse tipo de paciente.

Nahas Z; Bohning DE; Molloy MA; Oustz JA; Risch SC; George MS. Safety and feasibility of repetitive transcranial magnetic stimulation in the treatment of anxious depression in pregnancy: a case report. J Clin Psychiatry 1999 Jan;60(1):50-2 

                                           O paciente senta-se numa poltrona reclinável e recebe os estímulos durante aproximadamente 20 minutos, permanecendo acordado e sem necessidade de uso de medicações. Há um ruído (estalido do tipo "click") associado com a passagem da corrente através da bobina, mas o efeito do campo magnético e da indução da corrente no cérebro não é doloroso. Terminada a sessão, o paciente pode ir tranquilamente para casa ou para o trabalho, dirigindo seu carro. O tempo de tratamento varia de acordo com a patologia (quadro clínico). Para quadros depressivos fazem-se pelo menos 5 sessões semanais, numa média de 20 sessões. Para zumbidos e alucinações auditivas, costumam ser necessárias 10 sessões. A experiência tem mostrado que a EMTr é superior aos medicamentos antidepressivos no tratamento de quadros depressivos graves e inferior ao ECT (eletroconvulsoterapia), mas sem os inconvenientes desta (déficit de memória, anestesia geral, preconceito, etc).